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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Pesquisadores da UFRJ identificam nova correlação entre depressão e mal de alzheimer


Um grupo de pesquisadores brasileiros, liderados por Sérgio Ferreira e Fernanda De Felice, da UFRJ, comprovou pela primeira vez que uma toxina conhecida como" oligomeros de Abeta", que se apresenta em concentrações mais elevadas nos cérebros de pacientes acometidos pela doença de Alzheimer também está ligada ao mecanismo que leva à depressão. 

Segundo o pesquisador Sérgio Ferreira, “sabia-se de estudos prévios de vários grupos de pesquisas, inclusive o nosso grupo da UFRJ, que os oligomeros estão envolvidos nas alterações do funcionamento dos neurônios no Alzheimer, mas nunca se havia pensado que pudessem também estar envolvidos na depressão que ocorre nos pacientes Alzheimer”.

Para testar a hipótese, o grupo da UFRJ injetou oligomeros de Abeta no cérebro de cerca de 100 camundongos e os avaliou 24 horas e oito dias depois em testes que permitem detectar comportamento de tipo depressivo nos animais. Os resultados mostraram que animais injetados com oligomeros de Abeta de forma intra cerebral apresentaram , além de perda de memória, também alterações compatíveis com comportamento depressivo em testes conhecidos como nado forçado, suspensão pela cauda e preferência pela sacarose, que são utilizados de maneira clássica para avaliar sintomas de depressão em roedores. 

Todos os experimentos foram reproduzidos entre três e seis vezes. A depressão é um dos sintomas psiquiátricos mais comuns na doença de Alzheimer e evidências fortes indicam que a depressão aumenta o risco de desenvolvimento do Alzheimer. 

Até antes da pesquisa, no entanto, os mecanismos que explicam essa associação clínica entre ambas as doenças não eram conhecidos. 

Os pesquisadores também identificaram que um anti-depressivo, a fluoxetina, usado na clínica para o tratamento de depressão, foi capaz de evitar tanto os sintomas dessa doença quanto a perda de memória nos animais injetados com oligomeros de Abeta. Porém, é importante ressaltar que, até o momento, não existe tratamento que realmente funcione para o Alzheimer. 

 Estes resultados mostraram, portanto, que os oligomeros Abeta foram capazes de provocar tanto alterações de memória quanto de humor nos animais, fornecendo uma explicação para a associação clínica entre as duas doenças. Além disto, os achados sugerem que terapias direcionadas contra os oligomeros podem ser efetivas tanto para minimizar os transtornos de humor quanto a perda cognitiva e de memória na doença de Alzheimer. 

 Nessa diretriz, segundo Ferreira, o grupo da UFRJ, que envolve o Instituto de Bioquímica Médica e a Faculdade de Farmácia, pretende ainda avaliar se o tratamento com fluoxetina ou outros anti-depressivos poderia ser benéfico também em um camundongo transgênico – modelo para a doença de Alzheimer; entender melhor os mecanismos pelos quais a fluoxetina tem seu efeito benéfico, pois existem várias hipóteses para explicar os mecanismos da substância na depressão; e investigar os possíveis efeitos dos oligomeros na apatia, que é clinicamente diferente da depressão, mas que, junto com esta são as principais co-morbidados na fase inicial do Alzheimer.

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