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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pelo menos 95 morrem em ações de repressão a protestos no Egito


Ao menos 95 pessoas morreram nesta quarta-feira no Egito depois que as forças de segurança agiram para dispersar um acampamento de manifestantes que exigem a restituição do presidente deposto Mohamed Mursi, e o governo impôs um estado de emergência em meio à crise no mais populoso país árabe, segundo apuram agências internacionais de notícias. As forças de segurança mataram ao menos 60 pessoas em uma ação durante a madrugada para acabar com um acampamento de seis semanas no Cairo. 

As tropas abriram fogo contra manifestantes em confrontos que trouxeram o caos a algumas áreas da capital e polarizaram ainda mais a população de 84 milhões de pessoas do Egito, entre aqueles que apoiam Mursi e os milhões que se opuseram ao seu breve governo. 

 A tropa de choque da polícia, usando máscaras de gás, aproximou-se agachada atrás de veículos blindados pelas ruas ao redor da mesquita Rabaa al-Adawiya, no nordeste do Cairo, onde milhares de apoiadores de Mursi mantinham uma vigília. A violência se espalhou para além da capital, chegando às cidades no delta do Nilo de Minya e Assiut e à cidade na costa setentrional de Alexandria. Dezessete pessoas foram mortas na província de Fayoum, ao sul do Cairo. Mais cinco morreram em Suez. 

 O Ministério da Saúde do Egito disse que o total de mortos no país em um dia marcado pela violência era de 95 pessoas. O estado de emergência, que entrou em vigor às 11h (horário de Brasília), tem duração de um mês. Sete horas após a operação inicial, multidões de manifestantes ainda bloqueavam estradas, cantando e agitando bandeiras, enquanto as forças de segurança tentavam impedi-los. 

 Em um necrotério perto da mesquita, um repórter da Reuters contou 29 corpos, incluindo o de um menino de 12 anos. A maioria morreu de ferimentos de bala na cabeça. Uma enfermeira disse ter contado um total de 60 corpos em um hospital. "Eles chegaram às 7h da manhã. Helicópteros por cima e tratores embaixo. Abriram caminho através de nossas paredes. Policiais e soldados atiraram gás lacrimogêneo contra crianças", disse o professor Saleh Abdulaziz, de 39 anos, enquanto estancava um sangramento na cabeça. - -"Eles continuaram a disparar contra os manifestantes, mesmo quando pediam para parar." 

 O Ocidente, em especial os Estados Unidos, que concedem aos militares egípcios 1,3 bilhão de dólares por ano, tem se alarmado com a recente onda de violência. Na quarta-feira, a União Europeia exortou as forças de segurança a mostrarem a "máxima moderação" no país que tem um tratado de paz com Israel e controla a vital hidrovia do Canal de Suez.A ação para acabar com os acampamentos parece frustrar as esperanças restantes de trazer a Irmandade Muçulmana, o grupo de Mursi, de volta ao palco político central e destacou a impressão compartilhada por muitos egípcios de que os militares apertaram o controle. 

 A operação também sugere que o Exército perdeu a paciência com os persistentes protestos que imobilizavam partes da capital e retardavam o processo político. Tudo começou logo após o amanhecer, com helicópteros sobrevoando os acampamentos. Tiros foram disparados enquanto os manifestantes, entre eles mulheres e crianças, fugiam de Rabaa, e a fumaça subiu sobre o local. Veículos blindados avançaram ao lado de tratores que começaram a derrubar as tendas. O governo emitiu um comunicado dizendo que as forças de segurança mostraram o "maior grau de autocontenção", refletido em poucas baixas diante do número de pessoas "e do volume de armas e violência dirigidos contra as forças de segurança". 

 O governo, que prevê novas eleições em cerca de seis meses para devolver o regime democrático ao Egito, instou os manifestantes a não resistir às autoridades, acrescentando que os líderes da Irmandade Muçulmana devem parar de incitar a violência.

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