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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Filósofo anarquista diz que "resistência real" é necessária e que população precisa entender as "limitações das manifestações pacíficas".


Sempre vestidos de preto, com o rosto coberto e dispostos a enfrentar a polícia e atacar prédios públicos e de grandes corporações, os participantes dos "Black Blocs" nos protestos de São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades brasileiras vêm sendo considerados e taxados como "vândalos" que chegaram para minar as manifestações. 

O debate é polêmico, mas o filósofo John Zerzan, um dos anarquistas mais conhecidos dos Estados Unidos, defende a prática, ressaltando que "a resistência real é necessária". 

Em entrevista por e-mail ao portal de internet "R7" , Zerzan afirmou ainda que a população precisa entender que as manifestações pacíficas têm um limite, muitas vezes não conseguindo alcançar seus objetivos. —" Não somos acostumados a ver pessoas resistindo às autoridades em geral. Manifestações pacíficas são aprovadas [pela população], mas não outros tipos de protestos. Acho que as pessoas deveriam entender as limitações das manifestações pacíficas."   

Os Black Blocks são novidade para os brasileiros, mas apareceram pela primeira vez na Alemanha há quase 30 anos, no começo dos anos 1980, e se espalharam pelos EUA já na década seguinte. 

O Black Bloc não é um grupo organizado, mas sim uma tática de ação utilizada por jovens militantes em manifestações e outros tipos de eventos.Não há liderança, tampouco hierarquia, adotando-se como princípio a anarquia — filosofia política que propõe a não submissão às leis e ao Estado, entre outras instituições consideradas opressoras, além de defender o fim da propriedade privada. 


Segundo artigo do professor de antropologia Jeffrey S. Juris, da Northeastern University em Boston, as práticas dos Black Blocs variam, mas costumam incluir o que ele chama de "violência performática", como destruição de propriedades privadas (especialmente bancos e multinacionais) e confrontos simbólicos com a polícia. Não raramente, esses grupos se colocam estrategicamente entre os manifestantes e a polícia, para tentar evitar que os protestos sejam dissipados e os participantes, presos. 

-"Sei que em várias ocasiões os manifestantes ficam gratos por isso", aponta Zerzan. Para o filósofo americano, os apoiadores dessa tática devem explicar à sociedade por que suas ações são necessárias. Zerzan ainda critica a imprensa, que se limita a avaliar os atos “espetaculares”, sem debater as ideias por trás dos Black Blocs. 


 O filósofo também rebate as críticas de que o movimento esteja sendo deturpado no Brasil. Para ele, o perfil dos participantes dos Black Blocs no País parece ser o mesmo do restante do mundo.

 —" [A maior parte dos Black Blocs em todo o mundo] também é composta por jovens de classe média. Mas não exclusivamente. Tem pessoas da classe trabalhadora, pobres, negros. Especialmente quando os confrontos se tornam mais interessantes e se espalham um pouco. Então outros tendem a se juntar."

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