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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Itaboraí: Chegada do COMPERJ traz crescimento desordenado, bandidos e aumento da criminalidade.


Em meio à poeira dos prédios que vão sendo erguidos e o visual que muda a cada dia, Itaboraí vivencia o desenvolvimento econômico após a chegada do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj). Contudo, outra escalada em ritmo acelerado assusta moradores: o tráfico de drogas. Reforçados por bandidos do Jacarezinho, Manguinhos, Mangueira e Turano, traficantes dominam parte dos 430 quilômetros quadrados da cidade da Região Metropolitana e ampliam domínios. 

Comunidades como Complexo da Reta, Rua 100 e Nova Cidade são apontadas como as mais perigosas e com um novo perfil: já contam com bandidos armados com fuzis 7.62 e AK-47, e escopetas calibre 12, segundo a polícia. Outras como Engenho Velho, Itambi;e Vila Brasil estariam com novas bocas de fumo. 

-“Hoje, o tráfico de drogas é a principal atividade criminosa. A Reta Velha é um ‘estica’ (espécie de filial) da Mangueira; e a Nova Cidade, do Turano e Vila Kennedy”, afirma o antigo delegado da 71ª DP (Itaboraí) Wellington Pereira, que recentemente assumiu a Delegacia de Homicídios de Niterói/São Gonçalo.Para quem já fez parte do ‘exército do mal’ de Itaboraí, o rápido crescimento está vivo na memória. Recrutado pelo tráfico da Nova Cidade, X., 14 anos, acompanhou de perto a mudança da criminalidade na cidade. -“Chegou muita gente do Turano. Pegaram crianças para vender drogas. Entrei com 12. Vi muita gente morrer e participei de torturas. Um dia fiquei devendo e fui espancado por uma hora. Pensei que fosse morrer”. 

Ele levou pauladas e sofreu fraturas. Hoje, vive escondido. A dívida de R$ 800 de cargas de cocaína não foi paga. Bíblia nas mãos, ele reza para não ter que amputar a perna esquerda, consequência das pancadas.

No início de julho, 41 acusados de integrar quadrilhas da Nova Cidade, Reta Velha, Reta Nova e Morro do Catiço tiveram as prisões preventivas decretadas, depois de serem denunciados pela Promotoria de Investigação Penal do município. Deste total, 33 estão presos, sendo 22 detidos na ‘Operação Pente Fino’, em maio, realizada pela Polícia Civil. -“Não é mais crime do interior. O crescimento é desordenado e nas interceptações telefônicas ficou claro que as lideranças se comunicam com bandidos do Rio”, enfatizou o juiz Marcelo Alberto Chaves Villas, da Vara Criminal de Itaboraí. Na cidade, a facção criminosa Comando Vermelho detém o controle do tráfico nas favelas. 

Segundo o magistrado, muitos dos denunciados são crias do município, mas seguiram para o Rio após ascender na hierarquia do tráfico. -“O projeto das UPPs tem que ser integrado ao interior. Isso evitaria a vinda destes criminosos. Outro ponto importante seria reorganizar o cumprimento de pena. Cidades como Itaboraí deveriam ter complexos penitenciários. Em um só lugar, ficam mais fortes”, diz o juiz.

Nos primeiros cinco meses de 2012, índices do Instituto de Segurança Pública (ISP) apresentaram aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Entre eles, roubos de veículos (+32%) e de residências (+50%). O número de apreensões de drogas e armas também cresceu. Para o delegado Wellington Pereira, que chegou a ser ameaçado de morte e xingado nas escutas telefônicas, isso comprava o crescimento das atividades. -“Tem ‘mercado consumidor’ e eles, audaciosos, estão se expandindo. A geografia da cidade auxilia na fuga”.

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