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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Governador já avisou a Dilma que deixa governo em 2013. Petistas protestam.


O governador Sérgio Cabral está decidido a deixar o Palácio Guanabara em dezembro do próximo ano. A ideia está em estágio tão avançado que Cabral já conversou sobre o assunto com a presidenta Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula. A saída antecipada beneficiaria três de seus principais aliados em uma só tacada: o vice-governador Luiz Fernando Pezão, o prefeito Eduardo Paes e o filho do governador Marco Antônio Cabral.

Com a saída de Cabral em dezembro de 2013, Pezão teria dez meses até as eleições, se apresentando à população como governador, inaugurando obras, gerindo a máquina e participando de eventos de governo. Esse foi justamente o argumento apresentado por Cabral a Dilma. 

Em uma conversa com Dilma no Palácio Guanabara no fim de abril, quando se comemorou a marca de 1 milhão de beneficiários do programa Renda Melhor, o governador falou com a presidente sobre o plano de deixar o cargo. Segundo Cabral, Pezão tinha de “ganhar musculatura” e não haveria melhor forma de fazê-lo do que “no cargo”. 

Ao mesmo tempo, essa estratégia atende outro compromisso de Cabral: pavimentar o caminho de Eduardo Paes para ser governador do Rio em 2018. Concorrendo ao governo no exercício do mandato, Pezão ficaria impossibilitado de disputar a reeleição em 2018, beneficiando, então, o prefeito do Rio. Caso consiga se reeleger em outubro, Paes ficaria na prefeitura até 2016 — aproveitando a Copa e as Olimpíadas — e seria candidato do PMDB a governador, com apoio de Pezão e Cabral, em 2018. Em contrapartida, isso garantiria também a dedicação integral do atual prefeito na campanha de Pezão em 2014. 

A estratégia de Cabral foi confirmada por três interlocutores do governador. Segundo eles, essa teria sido a forma encontrada por ele para dar força na eleição de Pezão e manter o partido pacificado. — "Ninguém vai admitir isso publicamente hoje, até porque ele só conversou sobre o assunto com os aliados mais próximos" — justificou um peemedebista. 

Além de resolver as situações de Paes e Pezão, a saída de Cabral do governo em dezembro de 2013 permitiria ao governador construir a carreira de seu legítimo herdeiro: o filho Marco Antônio Cabral. Assessor de Paes na prefeitura do Rio, Marco Antônio já conquistou aliados no círculo político, mas não poderia concorrer em 2014 caso Cabral continuasse no governo. A Constituição proíbe que parentes de até segundo grau de presidentes, governadores e prefeitos sejam candidatos na mesma jurisdição. 

 Petistas reagem e protestam contra estratégia do Governador - Caiu como uma bomba no PT do Rio a decisão do governador Sérgio Cabral (PMDB) de renunciar ao cargo em dezembro de 2013 para deixar o vice Luiz Fernando Pezão ganhar “musculatura” para a disputa do governo do estado em 2014. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que vinha trabalhando nos bastidores em busca de consenso em torno de sua candidatura ao governo, decidiu se antecipar e lançar-se candidato. — "A eleição está longe, mas eu serei candidato a governador. Essa é uma posição já aceita quase por consenso no PT do Rio. A pergunta que faço é se eles (Cabral e o PMDB) combinaram com o povo. Porque a máquina tem peso, mas quem decide as eleições é o povo. E podemos ganhar a eleição" — reagiu Lindbergh. 

 A maior preocupação dos petistas é com a longevidade do plano do governador. Conforme  noticiado por reportagem publicada no jornal "O GLOBO" , que revelou nesta quarta-feira, a ideia de Cabral é pôr Pezão à frente do governo já em dezembro de 2013 e, com isso, fortalecê-lo para a disputa de 2014. Caso ele vença a disputa, ficaria inelegível em 2018, quando Eduardo Paes (PMDB) seria candidato, com apoio dos dois. 

Hoje prefeito do Rio, Paes ainda poderia, se vitorioso, ser candidato à reeleição em 2022. Procurados ontem, Cabral e Paes não quiseram comentar o assunto. — "O PT não pode ficar secundarizado aqui até 2026. É isso que eles querem. Nós não admitiremos isso" — protestou Lindbergh, que diz hoje não temer uma intervenção nacional do seu partido. — "Todo mundo com quem tenho conversado da direção nacional do partido apoia nossa candidatura". 

Entre os petistas, no entanto, o clima é de temor. Historicamente, a direção nacional do PT vêm apoiando o uso da legenda no Rio como moeda de troca dos planos nacionais da sigla. Em 1998, chegou a promover uma intervenção para a retirada da candidatura de Vladimir Palmeira ao governo. A atitude de Cabral — que há dois meses revelou à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula o desejo de sair do governo no fim de 2013 — é vista por petistas como a preparação de terreno para que seja, novamente, negociada uma troca. Nela, o governador apoiaria a reeleição de Dilma e o PT nacional retiraria a candidatura de Lindbergh. — "Não tenho dúvida de que a existência desse diálogo é a antessala da barganha que virá depois para impedir o PT de ter candidatura própria em 2014. É a velha chantagem de sempre" — protestou o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), principal crítico da aliança entre os dois partidos no governo e na prefeitura do Rio. 

— Esse plano mostra que aqui no Rio o exercício do poder é uma ação entre amigos. Molon disse que, ao grupo do governador, o que importa é estudar as melhores jogadas para se perpetuar no poder: — "É uma visão do estado como uma capitania hereditária. Do “nós combinamos entre nós e o povo serve como massa de manobra”. Principal inimigo de Cabral, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) entrou no debate, pelo Twitter: “Cabral pode até deixar o governo em dezembro de 2013 como anda dizendo, mas mais uma vez mente na hora de dar os motivos”. Segundo o ex-governador, a preocupação de Cabral são as investigações sobre obras do governo estadual. “Ele está querendo sair fora dos escândalos que virão à tona em cima do governo”.

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