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quarta-feira, 7 de março de 2012

Professora-Pesquisadora da UFF coordena pesquisa que identifica adolescentes com risco de desenvolver transtornos mentais.




Pesquisa desenvolvida na Inglaterra e coordenada pelas pesquisadoras brasileiras Letícia de Oliveira, do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Janaína Mourão-Miranda, da University College London, analisou as imagens cerebrais de 32 adolescentes saudáveis, sendo 16 filhos de pacientes com distúrbio bipolar e 16 filhos de pais que não apresentavam distúrbios.

Utilizando a metodologia de reconhecimento de padrões das imagens cerebrais, que se assemelha à de reconhecimento de impressões digitais, diz Letícia de Oliveira, foi desenvolvido um algoritmo computacional capaz de ajudar a identificar adolescentes em risco.

As imagens foram colhidas há cerca de quatro anos, nos Estados Unidos, e enviadas à Inglaterra para o estudo. À época, eram todos adolescentes saudáveis, que tiveram suas imagens cerebrais coletadas enquanto visualizavam faces de conteúdo emocional - de medo, felicidade e sem emoção.

Mesmo considerando que todos eram saudáveis, o programa conseguiu identificar quais eram filhos de pais saudáveis e quais de pais com distúrbio bipolar, com uma taxa de acerto de três a cada quatro jovens, o que corresponde a 75% de acerto.

"Com isso", diz a pesquisadora Letícia de Oliveira, "podemos concluir que existe alguma alteração cerebral que foi captada ou percebida pelo algoritmo, pois, além de identificar se ele é filho de um grupo ou de outro, ainda diz qual o grau de confiança do sistema naquela classificação. E o que nós, coordenadoras da pesquisa, percebemos", diz ela, "é que, confrontando-se esses resultados com os dados posteriores do acompanhamento, que continua a ser feito, pode-se observar que os jovens que apresentaram, de um a três anos depois, sintomas de ansiedade e ou depressão, foram os que o programa indicou que haveria um maior grau de confiança de serem filhos de pessoas com transtorno ou distúrbio bipolar.

" É como se fosse um marcador de vulnerabilidade, capaz de fornecer uma indicação de quão vulnerável é um adolescente para desenvolver a patologia.

O estudo, realizado com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela agência financiadora inglesa de pesquisas biomédicas Wellcome Trust, é considerado muito importante, pois muitas patologias mentais têm início no fim da adolescência e a detecção precoce e o tratamento podem atrasar, amenizar ou mesmo evitar o desenvolvimento da doença. Além disto, esta metodologia já havia sido utilizada para discriminar pacientes com muito comprometimento cerebral, tais como com mal de Alzheimer, mas esta é a primeira vez que sua eficiência é observada em indivíduos saudáveis.

Letícia considera que essa metodologia poderia servir para verificar riscos de outras patologias e já começou a aplicar o mesmo procedimento nos dados de ressonância magnética obtidos em imagens cerebrais coletadas no Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ. A pesquisa está sendo feita com 30 voluntários sem patologias, para investigar o impacto de imagens de violência no cérebro. O estudo também está sendo coordenado pela professora da UFF, em colaboração com o grupo de Londres.

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