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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ativistas semi nuas são detidas em Moscou por protestar contra supostas fraudes nas eleições.



Enquanto os russos se preparam para um grande protesto em diversas cidades do país no sábado, as forças de segurança voltaram a entrar em ação para conter as manifestações contra as irregularidades nas eleições parlamentares de domingo.


Desta vez, o alvo foi um pequeno grupo: ativistas da ONG ucraniana Femen, conhecidas por protestar contra diversas causas usando pouca roupa, enfrentaram o frio do inverno russo para se somar aos protestos e acabaram detidas.


As mulheres escolheram a Catedral do Cristo Salvador, na capital russa, como palco da manifestação. Exibindo cartazes com frases como "Deus, afaste o rei", as ativistas pediam que o primeiro-ministro Vladimir Putin encerrasse suas atividades políticas.


Alvo de condenações por parte de diversos líderes e organizações que questionaram a condução da eleição, o governo de Putin e do presidente Dmitri Medvedev autorizou a realização da manifestação de sábado em Moscou, mas determinou que o protesto ocorra em uma praça distante do Kremlin. Ativistas já disseram que pretendem se aproximar da sede do governo. "- Esperamos que esse se torne o maior protesto político em 20 anos "- afirmou Ilya Ponomaryov, advogado que é um dos líderes do movimento de oposição Frente Esquerda, comparando a manifestação às marchas que colaboraram para derrubar o governo comunista no fim dos anos 80.


O vice-prefeito de Moscou, Alexander Gorbenko, avisou que qualquer marcha realizada após a manifestação autorizada na capital será parada pela polícia. O recado aumenta os temores de que policiais e manifestantes protagonizem novas cenas de violência. A polícia reprimiu manifestações que se repetiram entre segunda e quarta-feira, quando quase mil pessoas foram presas.


Repórteres também foram alvo da repressão, levando a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) a cobrar que o governo garanta proteção aos jornalistas. Cerca de 20 profissionais que cobriam as manifestações foram detidos.- "A função da polícia é proteger os jornalistas, não ameaçá-los ou prende-los", afirmou, em comunicado, Dunja Mijatovic, da OSCE. "As autoridades russas devem investigar todos esses incidentes e garantir que os responsáveis sejam processados", acrescentou ele, em relação às prisões de jornalistas.


A eleição do dia 4 representou um revés para o Rússia Unida, partido do governo, que perdeu a maioria de dois terços na Câmara, mas se manteve com a maior parte dos assentos. Ativistas dizem que o resultado teria sido ainda pior para a legenda caso o governo não tivesse promovido fraudes a seu favor.


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