Início Fotos Orkut TV Blog Fale Conosco Cadastre-se

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Condenação de ex primeira ministra ucraniana a sete anos de prisão irrita União Europeia, Rússia e EUA .



A condenação da ex-primeira-ministra ucraniana Yulia Tymoshenko a sete anos de prisão nesta terça-feira irritou União Europeia, Rússia e Estados Unidos. O premier russo, Vladimir Putin, classificou como "perigosa" a sentença, enquanto a Casa Branca disse que o julgamento teve motivação política e pediu a libertação imediata da política.

Yulia Tymoshenko foi condenada sob acusação de abuso de poder por ter assinado, em 2009, um acordo de gás com a Rússia que seria lesivo à Ucrânia. Ela diz que o julgamento foi fabricado pelo presidente Viktor Yanukovich, para quem perdeu as últimas eleições.

Em comunicado de apoio a Tymoshenko, a Casa Branca afirma ainda que as acusações contra ex-primeira-ministra levantam preocupações sérias sobre o real comprometimento da Ucrânia com a democracia e a lei. Já a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, criticou o sistema de Justiça ucraniano.

"A UE vai refletir sobre suas políticas para a Ucrânia", afirmou Catherine, em comunicado, pouco depois do anúncio em Kiev do aguardado veredicto.O bloco voltou a ameaçar suspender as negociações para a adesão do país, prevista para ser firmada no fim deste ano. O acordo para o fornecimento de gás natural à Rússia, que motivou o processo contra Yulia, também pode estar ameaçado, na avaliação de Putin.

- É perigoso e contraproducente lançar dúvida sobre o pacote inteiro de acordos - afirmou o premier russo durante visita a Pequim, questionando a sentença. - Eu não entendo por que deram a ela sete anos.

O Ministério das Relações Exteriores russo emitiu nota dizendo ver um teor anti-Rússia na decisão contra a ex-premier ucraniana, afirmando que os acordos foram feitos de acordo com as leis dos dois países. Reunido em Bruxelas com outros ministros europeus, o chanceler ucraniano, Kostyantyn Gryshchenko, disse em Bruxelas que o governo não tem nada a fazer diante da decisão da Justiça. Ele também defendeu a importância de respeitar o Judiciário, afirmando que a ex-premier "mostrou desrespeito pela corte".
Multa e afastamento de cargos públicos

A sentença contra Yulia foi a mais alta prevista para o caso. Além da prisão, o juiz Rodion Kireyev também determinou que ela fique afastada de cargos públicos por pelo menos três anos - as próximas eleições parlamentares são em 2012 - e devolva aos cofres ucranianos o equivalente a US$ 190 milhões, quantia que teria sido perdida pela companhia estatal de gás como resultado do contrato.

Em sua sentença, ele afirma que a política usou seu poder "para fins criminosos e, atuando conscientemente, cometeu ações que claramente excedem os limites de seus direitos e poderes". Mais cedo, Kireyev disse que a ex-premier havia coagido a empresa estatal Naftogaz a assinar o acordo de dez anos com a Rússia.
Durante o anúncio do veredicto, a ex-premier de 50 anos, que usava sua tradicional trança, sorriu e depois se levantou - enquanto o juiz ainda estava lendo o veredito - para denunciar o "regime autoritário" do presidente Viktor Yanukovich.

Um policial chegou a conter a ex-premier. Ela estava acompanhada pela filha Yevhenia e o marido, Oleksander. A política, que está presa há dois meses, nega qualquer irregularidade. Ela afirma que não precisava de autorização prévia para a assinatura do contrato.Ao fim do julgamento, Yulia denunciou o que considera uma vingança do presidente, que a derrotou nas eleições de 2010, fazendo com que ela se tornasse a principal figura da oposição ucraniana, seis anos depois de liderar a chamada Revolução Laranja.

Em 2004, ela foi eleita pouco depois de uma série de protestos contra uma eleição fraudulenta de Yanukovich. Mas divisões entre a ex-premier e seus aliados levaram seu governo à estagnação e à sua derrota no pleito do ano passado.

O julgamento, no entanto, voltou a unir seus simpatizantes, que nesta terça se concentraram em frente ao tribunal. Pequenos incidentes foram registrados entre seus cerca de 2 mil simpatizantes e a polícia.

- Eu vou continuar minha luta pela Ucrânia, por seu futuro europeu - disse Yulia durante um intervalo do julgamento. - Ninguém, nem Yanukovich, nem Kireyev podem sujar meu nome honesto. Eu trabalhei e vou continuar trabalhando para o bem da Ucrânia. A ex-premier, que deixou o tribunal em um carro da polícia, comparou seu julgamento à repressão do período soviético. Os EUA e a União Europeia classificaram o julgamento como ato com motivações polítivas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário