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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Molon acompanha investigações sobre tragédia com Bonde em Santa Teresa.



O Deputado Estadual Alessandro Molon (PT) esteve domingo de manhã em Santa Teresa no local do trágico acidente em que um bondinho perdeu o freio, deixando cinco mortos e 57 feridos, e denunciou aos repórteres que estavam no local um gatilho na sapata do freio. No lugar de um parafuso, havia um pedaço de arame.

“Isso é um grande indício de irresponsabilidade por parte da Central, empresa do governo do Estado que administra os bondes de Santa Teresa. Vou cobrar, acompanhar e responsabilizar criminalmente os responsáveis por esta tragédia”, afirmou Molon, que conversou com a presidenta da Amast, com moradores, peritos e engenheiros. Ele lembrou ainda que o governo do Estado foi condenado pela Justiça, em 2008, a substituir os bondes de Santa Teresa por veículos leves sobre trilhos (VLT), mas recorreu duas vezes e não cumpriu a decisão.

Molon, em 2009, realizou uma audiência pública na ALERJ em que técnicos e moradores alertavam para a possibilidade de uma tragédia no sistema de bondes do bairro. “Não nos ouviram. Pouco depois morreu uma professora de 29 anos em um acidente semelhante ao de ontem. O governador do estado e o prefeito prometeram, naquela época, municipalizar os bondes. Não fizeram isso e nem tomaram qualquer outra atitude. Há pouco mais de um mês morreu um turista francês nos arcos. Agora são cinco mortos e 57 feridos. Quem vai responder por essas mortes?”, perguntou Molon.

Bonde tinha alarme no lugar de parafuso - O bondinho acidentado em Santa Teresa, que matou cinco pessoas e feriu 57, sábado, estava com um arame substituindo um parafuso acima da roda traseira esquerda e uma sapata (espécie de pastilha de freio) completamente desgastada na mesma roda. Os problemas foram constatados pela Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Estado do Rio de Janeiro (Crea-RJ), que vistoriou o que sobrou do veículo.

A cena causou indignação até nos integrantes da comissão. “Mesmo que não seja nenhuma peça de importância para o sistema de segurança, demonstra falta de manutenção. É inadmissível”, disse o engenheiro Luiz Antônio Cosenza, coordenador da comissão, que acredita que o sistema de freios falhou.

O governador Sérgio Cabral emitiu nota lamentando o acidente. Disse que o transporte ficará interrompido e a Secretaria de Transportes conduzirá plano de modernização dos bondes.

Cerca de 100 moradores fizeram manifestação após a perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Eles sentaram no chão impedindo o reboque dos destroços. Depois, caminharam na frente do reboque até a oficina.

A advogada Marilda Nunes, 65, viu o acidente: “Muita gente no lado esquerdo do bonde pulou para se salvar. Mas caiu na escadaria e se machucou”. O laudo do ICCE está previsto para 30 dias. Peritos adiantaram que havia peças desgastadas. O engenheiro do Crea constatou não haver marcas de travamento das rodas e viu indícios de solda recente. Ele descartou a superlotação como causa do desastre.

O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) afirmou que o estado foi obrigado a fazer a manutenção dos bondes em 2009. “Se não fez, vai responder criminalmente”.O advogado Sebastião Rodrigues, presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), responsável pelos bondes, alegou que eles passam por manutenção semanal na oficina da empresa, que tem 110 funcionários. Ele lamentou que os avisos para não viajar no estribo sejam desrespeitados. Rodrigues afirmou que entregara ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural projeto para alterar o bonde. Mas funcionários disseram ontem que a reposição de peças não é adequada. “Nenhuma é comprada nova. Só remendadas. A mão de obra especializada foi demitida”, denunciou um empregado, sem se identificar.

A presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa, Elzbieta Mitkiewicz, contou que cobrou, no início do ano, plano de recuperação do sistema, mas não obteve resposta da Central. “As pessoas ficam mais de uma hora esperando”, queixou-se.

Há cinco veículos no serviço: três VLTs (veículos leves sobre trilhos) e dois antigos. O acidentado é um dos antigos. Segundo Sebastião Rodrigues, em julho houve recorde no número de passageiros transportados: 93 mil, com média de 3 mil por dia.

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